segunda-feira, 18 de junho de 2018

A Ilha, a Missão e a TSSF...

"Conta as bênçãos..." diz o hino...

Um episódio marcante, tempo que não me será possível esquecer.

Fui a Cuba!

E tudo se arranjou e decidiu, aparentemente, tão rápido, pra mim...

Um tanto quanto apreensivo, no começo. A possibilidade, é fato, já estava apontada a quase um ano. Mas...

Passagens compradas, visto encaminhado, roteiro...

É missão. "Havia gente bem melhor, mas o meu nome eu escutei", diz a canção...

Jovem, um dia, quis ser frade pregador, depois sacerdote do coração de Jesus, e ser missionário. Não. A vida foi tomando outros rumos e outros caminhos se abriram. E aprendi que a missão é onde nossos pés pisam. E é a própria vida.

Graças ao testemunho, às mãos e as palavras — e, também, aos pedidos de ajuda musical — da Sandra fui me aproximando e conhecendo um pouco de Francisco, Clara e do Francisclarianismo. Simplesmente viver o Evangelho com integridade e inteireza. Viver o Evangelho e o testemunhar. "Se preciso, com palavras"...

Sei que vou muito longe disto. Mas cada dia um passo. E, com aqueles testemunhos e outros tantos de hoje, a certeza que é possível.

Depois, transitei para a Igreja Episcopal e, mais um pouco, me chegou às mãos um convite para um retiro, e a proposta de conhecer os francisclarianos anglicanos. A proposta era um Recomeço. E, apesar de eu nem saber de um começo, também o era pra mim.

Barbara e David, à frente. Seu desprendimento e entrega de vida, que as palavras não dão conta de traduzir, independente do idioma, um testemunho marcante! E a outras e outros conhecendo, reconhecendo, "e o Senhor me deu irmãos".

E, aí, grande descoberta, a busca de trazer para hoje e viver os ideais que moveram e o que se propunham os primeiros: evangelho, vida e liberdade. Bem episcopaliano isto, também.

Uma grande fraternidade internacional. Talvez, ainda, pequena em números em terras latinoamericanas, brasileiras e, agora, cubanas, mas desejosa e motivada a se comprometer, por isso grande.

Uma ordem, nome formal que a Igreja convencionou utilizar para estes grupos.
Mas, para além das burocracias e regulamentos rígidos, das amarrações tal camisa de força e regras carecidas de aprovação de autoridades, formamos, queremos ser uma sociedade.

Sim, gosto mais de me saber pertencente a uma sociedade do que a uma ordem. A palavra indica melhor: não vamos sozinhos, não são apenas as nossas possibilidades, interesses, recursos, motivações etc., temos parceiros, companheiros (os do mesmo pão), sócios, estamos associados; e, no sentido mais amplo, somos um grupamento de pessoas, que desenvolve um jeito próprio de ser, de viver, se identifica, cria cultura...

Com Princípios comuns, como linhas gerais e horizonte, propósito de vida compartilhado; uma Constituição que, apenas, lembra o essencial, acordos mínimos; e um rito (ordem) para admissões e renovações, três elementos, expressão do que nos identifica e ajudam a lembrar e expressar nosso jeito de perceber o Evangelho, nossa missão, para o mundo de hoje, nos tempos de agora e, sobretudo, nosso senso de pertença, que vai se conformando e quer acontecer pelo encontro, pelo afeto, carinho e cuidado, amor fraterno e sororal, cultivado na convivência e nas relações, a Sociedade de São Francisco.

Tantos de quem hoje se pode dizer "outro louco", outra louca, enquanto a lógica vigente é do "cada um por si e (d)eus por ninguém", entre nós queremos ser uns e umas pelas outras e outros, umas e uns com as outras e com os outros e Deus conosco. Ele mesmo, Emanuel, que se fez e faz um de nós! E nos chama e inspira, como fez com Clara, Francisco e tantas outras pessoas.

Ah, sim, temos Regra para seguir. E é pessoal. Só assim pode ser real. De vida e fé. Cada um com seu jeito, limites e possibilidades, disciplinas e propósitos. Não uma fôrma para nos moldar, mas a expressão e o compromisso pessoal de viver e nos tornar o que de melhor podemos, para nos deixar mais perto de ser o que queremos: seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré, das periferias, pobre... E viver com princípios comuns. Atualizando para nosso tempo, para nossa linguagem e estágio de humanidade, o que viveram os primeiros de Assis.

Isto é a Sociedade de São Francisco e de Santa Clara. Sim, no Brasil acrescentamos. Nossa caminhada eclesial tem nos ajudado a descobrir que é preciso reconhecer e integrar, complementaridade, que não anula as diferenças e características próprias.

Deus nos ajude e nos faça seguir na Missão!

Que é dEle, e é para nós e conosco hoje.