Escolhi uma nova comunidade para viver a fé em Cristo.
Não dá pra seguir sozinho. “Estou convosco...” E repetimos sempre, em cada liturgia “seu Espírito está conosco”, nos ensinando, motivando, impulsionando... Fazendo descobrir novos caminhos, formas...
E a isto me disponho.
Encontrei acolhida entre os irmãos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Nela sendo recebido neste 1º/04/12 (não é mentira!), na Paróquia S. Paulo Apóstolo, em Santa Teresa-RJ.
O ser da Igreja sempre me inquietou. Várias surgem todos os dias, segundo pesquisa, em todo o mundo, a cada dia 9 novas igrejas. Neste emaranhado de possibilidades, junto me a uma igreja que se reconhece como parte da Igreja de Cristo. Aí, começo a me identificar, profundamente.
O lugar do Senhor, é do Senhor. Se, atentos, ouvimos sua voz, cumprimos sua vontade. Mas a Palavra é dele, Ele é a Luz, Fonte e Verdade.
Nenhuma igreja se pode dizer a única, exclusiva detentora da verdade, o “depositum fidei”. Não dá pra conter a Graça. Aí me aproximo dos reformadores, é pela Graça que se chega ao Mistério, ao mais profundo... Afinal, “Ele nos amou primeiro...”
E, pra mim, igreja que se quer de Cristo, tem de ser católica, no sentido literal da palavra: “para todos”. E no todos não se exclui ninguém. Ninguém! Quaisquer que sejam os jeitos, as escolhas, cor do cabelo, tatuagens ou não, as opções, as orientações...
Aliás, há uma exigência sim! Todos que fazem sua opção pelo amor, pela ética do cuidado do próximo, do fazer ao próximo o que gostaria que lhe fosse feito, são parte deste todos.,,
E na Igreja Episcopal do Brasil, parte da Comunhão Anglicana a palavra que quer expressar este nosso desejo e compromisso de catolicidade no mundo e para o mundo é Inclusividade. Assim se quer cumprir o mandamento novo, e levar para a vida, por em prática a ordem do Senhor que se repete na liturgia: tomai todos, comei, bebei, vinde benditos de meu Pai!
E sempre Reformanda. Iluminada pela escritura, a Reforma nos legou o reencontro com a Palavra de Deus guardada na Bíblia, as Escrituras como eixo estruturante da fé. Sempre à partir de Jesus Cristo, do Evangelho, Boa Nova para a vida do mundo. Reforma não é ruptura, não é abandono e "invenção da roda".
Chama-me atenção o trabalho dos restauradores. Observando seu trabalho entendi o que era a Reforma Protestante. Aproximar-se o máximo das origens, e trazer esta essência à vista. Mas não parar nisso: a reforma tem de ser sempre reformanda, se reinventado! Dar vida, com o ferramental do nosso tempo. O que também encontro nesta Comunhão, nesta Igreja.
Sei que ainda tenho muito que caminhar, conhecer, descobrir. Sei também que dificuldades serão encontradas. Somos pessoas! Com opiniões, desejos, projetos, vontades... Fazer isso conviver não é tarefa fácil... Mas seja sempre, como percebo, o propósito ser, no mundo, sinal da presença do Cristo, da ação do Seu Espírito, capaz de dar vida, e nos levar a encontrar a forma, a essência; sendo, de fato, quem somos, de um jeito cada vez melhor, para nos tornarmos, de fato, a imagem e a semelhança sonhadas pelo Pai.
Eis minha fé, marcada, renovada pela esperança...
À obra, o Mestre chama.